"Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará"
- Maxwell Guedes

- 29 de mai. de 2021
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Para refletirmos sobre o TRIUNFO E GLORIFICAÇÃO DE MARIA NO CÉU[1], achei por bem observarmos o modo como Deus glorificou a Virgem Maria, o porquê de tê-la glorificado e os merecimentos de Maria em seu triunfo, Ela que experimentou primeiro aquilo que Deus reservou por sua graça a todos os homens, ao passo em que possamos também meditar sobre a forma sob a qual acontecerá o triunfo de Nossa Senhora na terra.
Antes de mais nada, precisamos ter em mente e principalmente no coração que, tudo quanto Maria conseguiu de Deus, foi por que Ele quis. E Deus quis! Ele preparou a Virgem Maria para dela servir-se e por ela alcançar a humanidade com sua graça. Ao se perguntar a respeito do merecimento das honrarias que Maria recebe de Deus, Santo Agostinho toma a palavra do anjo como resposta, pois tudo foi graça de Deus, da qual Nossa Senhora é transbordante (cf. SANTO AGOSTINHO, Sermão 291,6).
Conforme da própria Virgem ouvimos, Deus olhou para a sua serva (cf. Lc 1,48) e fez dela sinal para as gerações, modelo para os homens. E Deus viu que tudo na Santíssima Virgem era bom e a cumulou de graças transbordantes. Deus glorificou a humanidade por meio de Nossa Senhora, que experimentou primeiro aquilo que está preparado para nós no último dia. Maria foi glorificada recebendo antecipadamente de Deus o prêmio celeste, reservado para todos que Jesus salvou.
Bem-aventurada é aquela que encontrou graças aos olhos de Deus. Como Maria, que foi recebida entre a comunidade cristã por meio de João; recebeu o Espírito Santo juntamente com os apóstolos e os discípulos de Cristo; viu a Igreja nascente em sua fidelidade ao seu filho Jesus; foi recebida no céu de corpo e alma em sua assunção; foi coroada Senhora e Rainha do céu e da terra; de lá media e dispensa as graças de Deus sobre a humanidade e, assim, é venerada e louvada por todas as gerações, conforme cantou no Magnificat. Contudo, em sua humildade, a Virgem Senhora não detém nada para si das glórias elevadas por nós a ela, mas como nos diz São Luís Maria em Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria (TVD), “quando a louvamos, amamos e honramos, ou lhe damos alguma coisa, é a Deus que louvamos, amamos e honramos, é a Deus que damos por Maria e em Maria” (TVD 225). A grandeza da glória que Nossa Senhora recebeu no céu e na terra é de igual proporção à grandeza da simplicidade e humildade do coração dessa augustíssima Rainha, que são impossíveis de mensurar (cf. MANELLI, 2003, p. 60), Ela que não experimentou pecado algum.
Conforme o Catecismo da Igreja Católica (Cat), “a Virgem Maria é para a Igreja o modelo de fé e da caridade” (Cat. 967). Nela vemos tudo que Deus pensou para o homem. Por ela entra no mundo o autor e realizador do plano de salvação do homem. Em Maria repousa a esperança da humanidade inteira, que aguarda confiante o dia em que poderá viver com Ela junto do Pai e que poderá dizer com São João Damasceno:
"In te spem meam toto ex animo collocavi
Em ti de todo coração coloquei a minha esperança"
(LIGÓRIO, 2018, p. 443). Tendo Maria nos precedido nas alegrias gloriosas dos céus, se torna para nós – como nos diz a Lumen Gentium (LG) – “imagem e o começo da Igreja, [...] sinal da esperança segura e do conforto para o povo de Deus em peregrinação [...]” (LG 68). Nela se apoia tudo aquilo que esperamos e acreditamos receber de Deus na eternidade.
Mesmo a Santíssima Virgem, que foi escolhida e preparada por Deus, também foi provada e traspassada de profunda dor, mas triunfou pela fidelidade a Deus, pela fé firme e confiança inesgotável, por manter-se de pé e aceitar tudo que Deus lhe propusera. Aquela que foi glorificada por Deus antes de todos os homens, pode nos alcançar, sem dúvidas, o triunfo da glória celeste, como diz Santo Anselmo: “Basta quereres a nossa salvação, e em verdade não haverá jeito de não sermos salvos” (LIGÓRIO, 2018, p. 443). Ela em sua humildade alcançou o coração de Deus e nos alcança também para Ele, e nos coloca em suas mãos virginais para com cuidado nos introduzir em Deus.
Para nós, pensar na glorificação de Maria tem particular significado, pois esta glória que ela experimenta é justamente a sua introdução na glória celeste. Maria recebe de Deus o prêmio por sua vida de humilde silêncio e de total desprendimento de si e entrega a Deus. Ele glorificou Maria porque ela foi a alma mais desapegada das coisas do mundo e mais unida ao Senhor, conforme declara Santo Afonso ao falar de sua assunção: “Todos esses bens Maria não os teve jamais no coração, mas sempre os desprezou e os manteve debaixo dos pés” (LIGÓRIO, 2018, p. 293). Maria desprezou todas as coisas caducas deste mundo. Nada lhe atraiu mais ou lhe encheu mais o coração do que viver cada dia mais forte o seu SIM a Deus. Todos os bens mundanos, Maria os colocou debaixo de seus pés e os desprezou (cf. Santo Afonso, p. 293)
Maria foi elevada às alturas divinas e recebeu de Deus a coroa da glória. A mãe do Altíssimo Rei do universo, não poderia senão ser coroada Rainha do céu e da terra. Sua realeza e majestade são merecimento daquela que mais soube amar e servir a Deus, como sua mais fiel e estimada escrava. Maria é aquela mulher que, preservada da mancha do pecado, é revestida por Deus de glória e esplendor, sob o manto da humildade, da pureza, da castidade e da obediência; aquela diante de quem até mesmo os anjos se ajoelham reverentes.
Mas Maria não quer triunfar somente no céu. Por isso exclama aos pastorinhos: “Por fim o meu imaculado coração triunfará” (FÁTIMA, 1917). Quando o mundo estiver verdadeiramente debaixo da mão de Deus; sob sua proteção; subservientes, escravos do amor de Deus; então o seu Reino será instaurado no mundo – cabe aqui pensar na escravidão não na sua perspectiva histórica, mas numa visão espiritual, onde não vivemos de acordo com as nossas vontades, nem agimos deliberadamente, mas de livre vontade dispomos nosso querer ao desígnio de Deus, que nos orienta para o amor (Ele mesmo) – e então, livres do mundo e lançados em Deus, se realizará esse desígnio. Nossa Senhora deseja que também na terra triunfe o reinado de Deus e por isto não se cansa de interceder por nós.
Peçamos à Virgem Maria, Nossa Senhora e Rainha, vestida de glória nos céus, que nos ajude em nossa caminhada, para que, configurados a Jesus Cristo, possamos estabelecer no mundo o Reino de Deus e, assim, possa também a humanidade inteira, triunfar com Maria nos céus.
Ó Virgem gloriosa e bendita, Por Deus escolhida e preparada, Não esqueçais de nenhum dos vossos filhos. Por vossa glorificação nós vos pedimos, Obtende-nos um lugar no amplexo do amado. A fim de que também nós, Por vossa incansável intercessão, Possamos habitar na glória eterna. Assim seja. Amém. Ave Maria...
[1] Tema proposto pelo Seminário Arquidiocesano de Maceió, para reflexão mariana em maio de 2021.
Referências:
AGOSTINHO, Santo. A Virgem Maria: cem textos marianos com comentários. São Paulo: Paulus, 1996.
BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002
BELÉM, Maria. Rezando com Nossa Senhora: as alegrias, as esperanças, as dores e as glórias. São Paulo: Paulinas, 2009.
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. São Paulo: Loyola, 1999.
LIGÓRIO, Santo Afonso Maria de. Glórias de Maria. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2018.
MANELLI, Padre Stefano Maria. A Devoção a Nossa Senhora: vida mariana na escola dos santos. Anápolis, GO: 2003.
MONTFORT, São Luís Maria Grignion de. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Gráfica Dom Bosco: Anápolis, 2013.
VIER, Frei Frederico (Coord.). Compêndio do Vaticano II: constituições, decretos, declarações. Petrópolis, RJ: Vozes, 1968. (Constituição Dogmática Lumen Gentium).
ZANON, Frei Darlei. Nossa Senhora de todos os nomes: orações e história de 365 títulos marianos. São Paulo: Paulus, 2019



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