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MARIA, PORTA DO CÉU


“A Santíssima Virgem é a Porta Oriental, por onde o grande sacerdote Jesus Cristo entra e sai do mundo[1]: Por Ela entrou a primeira vez, por Ela virá segunda vez.”[2]


Pentecostes. Fonte: Google.

Maxwell Guedes

Estudante de Teologia no Seminário Arquidiocesano

Nossa Senhora da Assunção de Maceió

maxwellguedesmissao@hotmail.com

A primeira pergunta que devemos fazer a nós mesmo é: Conhecemos realmente a nossa fé? Ou simplesmente nos deixamos levar por suposições e inseguranças? Precisamos ter convicção daquilo que escolhemos para a nossa vida. Não é uma fantasia ou faz de conta, mas se torna a identidade daquele que reconhece a grandeza e a força de Deus.

Em nossa caminhada precisamos tomar como exemplo pessoas que souberam indiscutivelmente de modo brilhante agradar a Deus num seguimento a Cristo leal, dedicado, disponível, aprazível. Aqui cabe a nossa admiração e veneração aos santos: homens e mulheres de fé e exemplo de virtude autêntica que, apesar das suas limitações, dedicaram suas vidas no amor a Jesus e na propagação do Reino de Deus.

Os sacramentos são essenciais na vida da Igreja, pois fazem-nos criar uma relação de intimidade com Deus e “são sempre sinais da manifestação do amor de Deus à humanidade”[3]. Olhando para os sacramentos da iniciação cristã, podemos fazer uma relação com cada uma das pessoas da Santíssima Trindade: O Batismo nos torna filhos de Deus e membros da Igreja; A Eucaristia é a presença real do Cristo, ao qual nos unimos quando comungamos; a Crisma é a confirmação do nosso batismo, na qual somos revigorados pelo Espírito Santo na fé da Igreja, o mesmo Espírito que é ação, movimento, missão, e, agindo em nós, nos impulsiona a assumirmos autenticamente a identidade de verdadeiros cristãos e aceitar a missão proposta por este modo de vida.

Precisamos ter responsabilidade por aquilo que nós assumimos. “Na missão da Igreja, a vivência e a celebração dos sacramentos estão indissociáveis e têm sua razão de ser, única e exclusivamente, em conexão íntima com Cristo”[4]. Os sacramentos não podem ser vividos como um evento social que passa, mas deve ser uma marca na vida do cristão, de forma a fortalecer a sua intimidade com nosso Deus.

Nossa vida comunitária é impulsionada pela força do Espírito Santo de Deus que nos faz firmes na caminhada e nos dá força para não esmorecer no caminho da salvação. Nessa busca em ter uma verdadeira intimidade e fazer agir verdadeiramente os dons do Espírito em nossa vida, podemos contar com o auxílio e intercessão de sua Augustíssima esposa: Maria, a Cheia de Graça.

A Virgem Maria é para nós cristãos um modelo perfeito de escrava, que prontamente se faz disponível para cumprir em sua vida o projeto de Deus para a humanidade. Nossa Senhora, em sua humildade, nos ensina a verdadeira atitude que o cristão deve tomar diante da realidade humana.

Conta-se que um padre, tendo problemas com morcegos em uma de suas igrejas, sugeriu que o bispo fosse chamado ao local para crismar os morcegos. Quando questionado sobre o que o bispo poderia fazer, o padre respondeu: depois que os jovens foram crismados nunca mais apareceram na igreja; talvez funcione com os morcegos.

Não sejamos como os jovens desta história. Assumamos um compromisso na Igreja. Assumamos um compromisso de vida cristã. A Crisma como unção do Espírito Santo deve germinar em nós um fervor missionário, que nos tira do nosso comodismo e nos leva a trabalhar em favor do Reino, para fazer com que todos tenham a oportunidade de conhece-lo. Aprendamos com Maria a bem servir o projeto de salvação de Deus para a humanidade.

Depois que Jesus foi crucificado, os discípulos ficaram temerosos em continuar o anúncio da Palavra, mas assim que receberam o Espírito Santo, dom de Deus, “não mais ficaram fechados, com medo. Partem, entretanto, com alegria, para anunciar o Cristo Ressuscitado”[5]. Este Espírito que ungiu os apóstolos, também vem até nós e deve nos dar vigor para a missão que devemos assumir na comunidade, no meio do povo de Deus.

O Espírito de Deus toca Maria e a torna fecunda, digna portadora da Salvação de Deus para os homens. Ele também “dá aos discípulos a capacidade de testemunhar Jesus com toda a liberdade”[6]. Devemos aprender com a Virgem Santíssima o modo como precisamos viver para nos tornarmos fiéis seguidores de Cristo. Na Sagrada Escritura, vemos muitos exemplos de como Nossa Senhora nutriu a intimidade com Deus e se dedicou intensamente ao seu desígnio. A partir do seu sim na anunciação, também nas bodas de Caná, em Pentecostes e até mesmo na cruz, Maria entendia o seu papel, estava sempre atenta e pronta e guardava tudo, meditando em seu coração[7].

É difícil para nós deixarmo-nos conduzir pela vontade de Deus e nos desprendermos de tudo que é atraente: os prazeres, os anseios e desejos. Devemos imitar com afeto cada exemplo que Maria nos dá. São Luís diz em seu tratado que quanto mais numa alma o Espírito Santo encontra Maria, sua amada e inseparável esposa, tanto mais operante e poderoso se torna para produzir Jesus Cristo nessa alma e essa alma em Jesus Cristo[8]. Nossa Senhora nada retém para si, tudo coloca nas mãos de seu filho, Jesus. Por isso devemos imitá-la, para que o Espírito que nos unge seja também em nós e nos vivifique em Cristo.

A Igreja recebe Maria por Mãe e se dirige a Ela sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora, medianeira. “A missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui a mediação única de Cristo”[9]. Nos colocando na condição de pecadores, indignos de se aproximar da Augustíssima Majestade de Cristo, “temos necessidade dum mediador junto do mesmo Medianeiro”[10], e quem melhor do que a Rainha do céu e da terra para interceder por nós? Foi por Maria que Jesus veio até nós e é por Ela que nós devemos ir ao encontro dele[11]. Em seu tratado, São Luiz Maria conta uma história que ilustra como se dá essa mediação junto ao Medianeiro mesmo, que é Jesus:

É como se um camponês, querendo ganhar a amizade e benevolência do rei, fosse ter com a rainha e lhe entregasse uma maçã, que constituísse toda a sua fortuna, a fim de que ela a apresentasse ao rei. A rainha, depois de recebida a pobre e pequena oferta do camponês, poria essa maçã numa grande e bela bandeja de ouro oferecendo-a assim ao rei, em nome do camponês. E desde então a maçã - por si mesma indigna de ser apresentada a um rei -, torna-se digna de sua majestade, em atenção à bandeja de ouro e à pessoa que a presenteia.[12]

Não resta motivos pelos quais devemos proclamar as maravilhas de Deus, operadas em Maria. Ela, como um modelo perfeito a ser seguido, merece toda honra e toda glória, ainda que não deseje-as para si. Mas como tudo que ela recebe entrega a Deus, não devemos temer tributar-lhe tanta honra quanto nos for inspirada.

Dentre todos os modelos de amor, intimidade e fidelidade a Deus, Maria nos ensina o modelo mais perfeito de fé cristã, de modo que nos insere no coração do próprio Cristo, se realmente seguimos seu exemplo.

A entrega e consagração total que a Igreja faz à Nossa Senhora, na verdade é a Cristo que a Igreja se doa e consagra, pois, Maria nos prepara para sermos menos indignos de estar na presença do seu filho. Toda a grandeza que Maria tem é transparecer da grandeza e do adorno do próprio Deus que a criou para a missão de ser a Sua mãe.

Maria reservou-se do egoísmo do mundo. Não se deixou levar pelas seduções rasas que o mundo oferece. Nós devemos buscar viver como Maria e desejar sempre as coisas do alto, para alcançar a santidade que nos aproxima de Jesus; reconhecer nossa fraqueza e pequenez, sem nos conformarmos, para vivermos bem nossa missão entre os homens a fim de sermos dignos do Reino dos Céus.

“Ad Iesum per Mariam”


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[1] Cf. Ez 44, 2-3.

[2] Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria – São Luís Maria Grignion de Montfort (TVD 262).

[3] NODARI, Paulo César; CESCON, Everaldo. Os sacramentos na Igreja: Subsídio teológico-pastoral para formar e educar na fé. São Paulo: Paulus, 2009. p. 7.

[4] Idem, p. 8.

[5] Ibidem, p. 27.

[6] Redemptoris missio apud NODARI; CESCON, 2009, p. 29.

[7] Cf. Lc 2, 19.

[8] TVD 20.

[9] Lumen Gentium – LG 60 apud Catecismo da Igreja Católica – CIC 970, 1998, p. 274.

[10] São Bernardo apud Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria – TVD 85, 2013, p. 69.

[11] TVD 157.

[12] TVD 147.

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