top of page

Voz de Deus que alcança o homem



Quando falamos de vocação, pensamos em primeiro plano nas vocações específicas, principalmente as vocações ao matrimônio e ao sacerdócio, que individualmente nós somos chamados a viver na nossa relação com Deus. Contudo, precisamos ter em mente também que, a nossa caminhada eclesial encontra um sentido todo especial quando unimo-la a caminhada dos nossos irmãos, ou seja, uma vivência de Igreja enquanto comunidade. Mais ainda, devemos entender a vocação como um desejo intenso de querer assumir a vontade de Deus para a nossa vida; se identificar e viver de verdade como um cristão autêntico.

Há quem faça confusão entre vocação e profissão (ou aptidão profissional), mas existem diferenças peculiares na estrutura desses dois modos de construir o caminho pessoal. A vocação nos lembra do verbo ser: eu sou pai, mãe, leigo, padre, freira; já a profissão se liga mais ao verbo fazer: eu exerço a medicina, psicologia, eu leciono. Por mais que comumente também usemos o verbo ser para falar da nossa profissão (eu sou advogado), isto não determina a essência da pessoa, não marca de forma que não possa mais ser. Já no caso da vocação, não é possível dizer que faz ou exerce o sacerdócio, por exemplo, mas o sacerdote só pode dizer: eu SOU padre.

Deixando um pouco de lado as vocações específicas, gostaria de tratar um pouco mais da vocação comum da Igreja; a vocação para a qual todos e cada um dos cristão são chamados por Deus a experimentar e viver fervorosamente. Vida e santidade são os maiores convites que Deus faz ao homem. Somos chamados a viver com Deus, sem jamais nos afastarmos da Sua presença majestosa, e chamados a viver em Deus, numa vida de santidade, totalmente entregue em sua mãos poderosas.

Todo homem é chamado por Deus à vida. Judeu ou grego, homem ou mulher, cristão ou ateu, todos unidos em Cristo (cf. Gálatas 3,28), recebemos o chamamento do Pai para a vida. Desde o princípio, quando somos trazidos à luz, já estamos exercitando o dom da vida que o Criador nos concede. Mas essa vida, como chamado, não é somente viver de qualquer jeito, uma vida corporal, mas viver conforme o projeto de Deus para nós, ou seja, viver em Cristo. Por isto somos batizados: para viver conforme o conselho de Jesus a Nicodemos; para que, vivendo no mundo, não pertençamos ao mundo.

Deus nos chama a viver, por que quer precisar da nossa ação no mundo; daquilo que podemos realizar. O chamado à vida é o convite para a participação de cada um na construção do Reino. Mas para isto, precisamos agir como habitantes e conhecedores desse Reino. Por isto é necessário viver em Deus. A vida vivida em Cristo é viver conforme o Espírito; viver de acordo com o que Cristo nos ensina.

Jesus é claro ao falar da necessidade de renascer do alto como pré-requisito para ver o Reino de Deus (cf. João 3,3). Muitos vivem como se não pertencessem a Cristo; vivem como se não fossem verdadeiramente filhos de Deus. Mas Jesus adverte que, para entrar em seu Reino é necessário nascer da água e do Espírito (cf. João 3,5), ou seja, viver de verdade como batizado, como cristão, como filho e não apenas como criatura. Quem viver como carne, morrerá como carne: perecerá, apodrecerá; ao contrário, quem viver como Espírito, fará parte desse mesmo Espírito Santo e herdará como prêmio o Reino dos céus.

A vida do homem adquire pleno sentido e atinge sua perfeição quando, no processo de crescimento pessoal, o homem busca se configurar cada vez mais ao seu criador. Esse é o processo de construção da santidade: o homem, cansado da escravidão do pecado e de suas mazelas, busca ressignificar sua vida, num profundo desejo de ser intimamente ligado a Cristo em tudo. A santidade é o que se alcança quando sinceramente nos esvaziamos de nós e lançamos inteiramente tudo que somos nas mãos de Jesus.

A vida de santidade requer uma intimidade profunda com Jesus, que só alcançamos com uma luta diária, constante. Não é possível a ninguém desejar ser santo e como da noite para o dia chegar à santidade, mas não é impossível que, buscando cada dia, erguendo-se após as quedas, pedindo forças a Deus, aprendendo com os Santos, consigamos chegar à intimidade que almejamos.

Uma forma muito eficaz de reconhecer nossa capacidade de ser santos é observar a vidas dos próprios santos. Estes souberam viver tão profundamente ligados à Jesus, que servem como exemplo para nós. Os Santos são modelos de seguimento do Cristo e de vida cristã. Homens e mulheres prudentes que se decidiram pela vida doada a Cristo e obtiveram de Deus a graça de chegar a santidade. Temos muito a aprender na escola dos Santos. Santa Teresinha do Menino Jesus nos ensina em sua Pequena Via, que a santidade é possível a todos aqueles que desejam ser santos; que o nosso esforço para sermos bons, passa pela cruz, mas nos garante como prêmio a palma da glória.

Os Santos e Santas da Igreja são a maior fonte de inspiração para as vocações específicas e para viver a santidade. Quem nunca quis ser bom padre como São Padre Pio, ou boa monja como Santa Tereza, ou boa mãe de família como Santa Rita de Cássia, ou uma boa jovem leiga como Chiara Luce, ou mulher dedicada como Chiara Lubich? Todos foram humanos comuns como nós, mas se destacaram no testemunho do amor a Cristo.

Para testemunhar de verdade as maravilhas e a grandeza de Deus é preciso ter intimidade com Ele, faz-se mister conhecê-lo de verdade (cf. João 3,10). Se dificilmente as pessoas acreditam, acolhem e são convertidas quando alguém fala de Deus com propriedade, muito mais difícil ainda vão crer, se aquele que fala não experimenta na própria vida essa proximidade com Jesus. Mais do que palavras, precisamos exalar o odor de Cristo e transparecer sua imagem através da nossa própria vida.

A experiência dos primeiros cristãos foi muito forte neste sentido. Claramente, a missão, a pregação e a dedicação dos apóstolos foram essenciais para o crescimento do cristianismo e a propagação da Boa-Nova, mas o testemunho que eles deram do amor que Cristo lhes ensinou a viver foi um divisor de águas e chegava a espantar os pagãos, que não estavam acostumados a viver daquela forma. Esse testemunho foi responsável pela conversão de milhares de pessoas. E ainda hoje, muitos se convertem a partir do testemunho de verdadeiros cristãos, comprometidos sinceramente com a causa do Reino Celeste.

Conta-se que, uma mulher, de família Católica, costumava frequentar regularmente aos domingos a Santa Missa, mas sempre ao retornar para casa, tinha acessos de raiva e, num rompante de estresse, descontava tudo em sua secretária doméstica. Este fato repetiu-se por algumas semanas. Cansada de tantos sopapos, a secretária decide perguntar à sua patroa: onde a senhora vai todo domingo que volta manifestada desse jeito? Deveria deixar de ir, pois está te fazendo mal.

De fato, algo não estava bem. Mas será que era a Santa Missa ou a Igreja que fazia mal àquela mulher? Certamente que não. O que faltava era a vivência verdadeira da experiência que essa patroa tinha na Igreja. Ela aprendia, mas não vivia conforme o ensinamento do Evangelho e o seu contratestemunho marcava negativamente sua funcionária. De certo, se a mulher tivesse um bom testemunho daquilo que ela aprendia na Igreja, poderia mudar a vida de muitos que entrassem em contato com ela.

O nosso testemunho de vida deve ser inconfundível. As pessoas quando viam os primeiros cristãos reconheciam algo diferente neles e sabiam a que grupo pertenciam; sabiam que eram seguidores de Jesus, o Nazareu. Assim também nós, muito mais, devemos refletir a imagem verdadeira de Cristo a qual fomos criados.

Nesse processo, podemos tomar como exemplo a vida dos mártires. Homens e mulheres corajosos que não temeram entregar tudo a Jesus, doar-se inteiramente ao Reino, inclusive a própria vida. Com seu sangue eles marcaram a sua própria história e foram dignos do nome de cristãos. Quantos de nós, porém, temos vergonha até mesmo de usar um crucifixo no pescoço. Quem seria capaz de se entregar à morte cruenta em vez de negar a fé?

Não foram somente homens e mulheres os corajosos que foram dignos do martírio. Numa maturidade espiritual desejável, há também entre eles jovens crianças, que mesmo pequenos em estatura, foram grandes na fé e testemunharam em público o nome de Jesus. Dentre eles, quero chamar à atenção dois nomes que, pessoalmente, tocam profundamente no coração, por sua determinação, firmeza e, principalmente, amor a Nosso Senhor Jesus Cristo: São José Luís Sanchéz del Rio (14 anos) e São Tarcísio (12 anos). Destes, vou me ater a falar de São Tarcísio, esperando que a curiosidade te leve a pesquisar sobre a fantástica história de São José Sanchéz (da qual foi produzido um filme forte e emocionante).

São Tarcísio, muito conhecido como padroeiro dos coroinhas, viveu em Roma por volta do século III, período de grande perseguição do Império contra os cristãos, que estavam sendo presos e condenados à morte, mas, mesmo nestas condições, desejavam ardentemente comungar do Corpo Eucarístico de Cristo, a fim de, alimentados por Ele, encontrarem forças para suportar o sofrimento a eles imposto. Contudo, não era fácil aproximar-se deles nas cadeias sem ser notado. Aproximando-se o dia de um número considerável de execuções, sem saber o Papa Sisto II a quem recorrer para levar a Sagrada Comunhão na prisão, eis que Tarcísio se oferece para a missão. Ele acreditava estar preparado e estava disposto a morrer em lugar de entregar as Hóstias aos pagãos. E assim foi feito. Passando pela via Ápia, alguns jovens notaram Tarcísio e perguntaram o que ele trazia consigo. Ele, porém, não quis responder. Então bateram nele até a morte e o revistaram em busca de algo cristão, mas nada encontraram. Um soldado, cristão em segredo, pegou seu corpo e o sepultou.

Vejamos o que uma criança fora capaz de fazer, pequena na idade mas grande em amor à Igreja e a Cristo. Não teve medo de dar tudo em nome de Jesus e em favor dos irmãos que padeciam nas prisões, perseguidos e mortos. Antes de mais nada, vejamos a consciência que Tarcísio tinha da sua vocação, ao ponto de se oferecer para a missão. Essa atitude deve ser a nossa. Deus nos trouxe à vida para que, unidos a Ele em Espírito, busquemos de tal forma a santidade, para que possamos preparar o Reino dos Céus já aqui, no hoje da nossa história. Nada deve nos impedir de buscar viver uma vida santa.


Referências:

SOUZA, Ir. Sandra de; NAZÁRIO, Ir. Clerveson A. Despertando minha Vocação: acompanhamento vocacional. 1ª etapa.


Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Viver a vocação: encontros vocacionais para adolescentes e jovens. Edições CNBB, 2014.


https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Tarc%C3%ADsio (acesso em 15 de agosto de 2020 às 16h)


Comentários


GESTÃO

 

MAXWELL GUEDES

maxwellguedesmissao@hotmail.com

Tel: (82) 9 9909 7380

 

Siga-me:

  • Maxwell Guedes
  • Maxwell Guedes
  • Maxwell Guedes
  • Maxwell Guedes
DEIXE-NOS UMA MENSAGEM:

Seus detalhes foram enviados com sucesso!

Junte-se à nossa lista de e-mails para ficar por dentro das últimas notícias!

© 2013 por Maxwell Guedes. Orgulhosamente criado com Wix.com. Todos os direitos reservados.

bottom of page