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7 Ensinamentos de São Bento para este tempo de pandemia

Atualizado: 27 de jul. de 2020


No dia 26 de fevereiro de 2020 o Brasil entra em alerta porque foi confirmado o primeiro caso de coronavírus no país; um homem de 61 anos que viajou à Itália e deu entrada no hospital Albert Einstein em São Paulo. O Brasil começou a entrar em um momento de muitas inseguranças, pois este vírus estava chegando em muitos países e em alguns países, como a Itália, ele foi devastador. No dia 17 de Março aconteceu a primeira morte no Brasil, e de lá para cá, os números de mortos e contaminados vieram aumentando e aumentando...

Ainda no mês de Março, vários estados decretaram quarentena e o isolamento social. Somente os serviços essenciais deveriam funcionar, todos devem usar máscaras e sair de casa somente se for realmente necessário. Inclusive as Igrejas interromperam suas atividades públicas neste período. Isso causou na população um verdadeiro sentimento de angústia. Em pouco tempo soubemos de casos de suicídio e pessoas com problemas de depressão, ansiedade e síndrome do pânico.

Isto se deu ao fato de que as pessoas, que são tão acostumadas à rotina, às obrigações, às atividades cotidianas de trabalho e estudo, ao se depararem com este isolamento e impedimento de fazer aquilo que antes era tão normal, gerou meio que um “bug”. As pessoas não sabiam o que fazer neste tempo ocioso. Sem poder sair ou trabalhar, entraram em um verdadeiro tédio. Muitos souberam lidar com toda esta situação, mas também, muitos até hoje, após quase 4 meses, se sentem sozinhos e tristes.

Neste texto, iremos consultar uma pessoa experiente no assunto isolamento. Se trata de São Bento de Núrsia, Abade (Vem de Abbá, significa “Papai”), fundador da Ordem Beneditina e fundador de vários mosteiros na Europa.

Nasceu em Núrsia, próximo a cidade de Espoleto, em 480, em uma família nobre. Teve por irmã gêmea Santa Escolástica. Desde criança possuía muito gosto pela oração.

Foi enviado aos 13 anos para Roma para estudar Belas Letras (Literatura, Gramática, Retórica e Filosofia) mas se decepcionou com a decadência moral da cidade. No ano 500 São Bento abandona Roma, atravessa a cidade de Tivoli e chega à uma aldeia chamada Alfile, onde consegue pousada ao lado da Igreja de São Pedro Apóstolo, que existe até hoje. Lá aconteceu um fato interessante; a governanta responsável pelo jovem Bento, deixou cair uma vasilha de barro que lhe fora emprestada. Bento, ao recolher os pedaços, juntaram-se como se nunca houvessem se partido. Isto o fez ganhar grande fama de santidade.

Muitas pessoas começaram a visitá-lo, uns por curiosidade e outros para pedir conselhos. Então, em busca de paz, abandonou sua governanta, e com a ajuda de um monge chamado Romano que vivia em um mosteiro próximo, se retirou para Subíaco onde se refugiou em uma gruta em um monte, e ainda ganhou seu hábito monástico. Ficou ali por 3 anos tendo uma vida de eremita. E o Monge Romano levava para ele comida regularmente descendo um pão amarrado a uma corda por entre o penhasco. Viveu neste local a oração, o silêncio, o trabalho, a meditação, a solidão, duras tentações e muita penitência. Há escrito nesta gruta pelo próprio Bento a palavra PAX (Paz), motivo pelo qual viveu ali.

Foi neste local que o demônio tomou o formato de um melro preto (ave parecida com corvo preto) e apareceu para atacar Bento. Também foi neste lugar onde o demônio se apresentou como uma mulher para seduzi-lo, e ele, para não cair no pecado, se atirou a uma espinheira e ficou com seu corpo todo ferido.

Foi descoberto por alguns pastores, que começaram a visitá-lo frequentemente. Em algum tempo várias pessoas faziam peregrinações para o Monte Subíaco para visitar o monge. Com sua fama, apareceram muitos querendo viver a vida que ele vivia. Por volta de seus 30 anos, foi convidado a ser abade do mosteiro de Vicovaro, na Itália, mas os monges não aceitaram sua rigorosidade e tentaram envenená-lo.

O Abade Bento deixou aquele lugar e retornou ao Monte Subíaco. Construiu 12 pequenos mosteiros, cada um com 12 monges e um abade, tendo por direção um mosteiro central. O grande movimento de pessoas ajudando os monges e a construção de mosteiros, despertou no padre Florêncio a inveja. Ele ofertou ao Abade Bento um pão que havia sido envenenado. Antes de Bento o comer, um corvo lhe apareceu, tomou o pão envenenado e levou para longe.

Por causa da inveja do padre Florêncio, Bento decidiu se mudar para o Monte Cassino, onde fundou o mosteiro que viria a ser o primeiro e a fundação da Ordem de São Bento. Na saída da cidade, o Pe. Florêncio subiu em um terraço para vê-lo indo embora, sentindo-se vitorioso; de repente o terraço cedeu causando a morte do sacerdote. O monge que acompanhava Bento disse: “Morreu o inimigo”, mas Bento, em lágrimas, disse: “Chore, pois morre um sacerdote”.

Há muitos outros fatos e dados históricos deste santo abade. Suas maiores informações estão descritas no livro Diálogos de São Gregório de Nazianzo.

Em 534 começou a escrever a Regula Monasteriorum (Regra dos Mosteiros; conhecido também como Regra de São Bento), livro base para todos os mosteiros beneditinos e serve de grande influência para praticamente todas as ordens de vida monástica. Iremos, portanto, conhecer alguns dos conselhos de São Bento que podem nos ajudar a viver melhor esta quarentena.


1º - A ociosidade é inimiga da alma: A Ordem de São Bento tem por base a famosa frase Ora et Labora. Os monges devem ser dedicados ao trabalho e à oração. Neste tempo de pandemia, essa deve ser nossa prioridade. Somente orar nos torna preguiçosos e desobedientes, e somente trabalhar nos torna frios espiritualmente. Devemos, mesmo com tempo ocioso, mesmo que não tenhamos nada para fazer, procurar algo para nos ocupar. Lavar banheiro, arrumar quarto, cuidar do jardim, cozinhar, pintar a casa e etc. E fazer tudo isso em espírito de oração, e sempre dedicar um ou mais momentos do dia para parar e rezar.


2º - Nossos dias devem seguir um ritmo: Sempre há tempo para tudo, muito mais agora. Devemos organizar o nosso dia, criar metas, cumprir horários. Ter hora para acordar, hora para comer, hora para rezar, hora para dormir. Criando uma rotina própria para nós, não sentiremos tanta falta assim da rotina de trabalho e estudo que tínhamos antes da pandemia.


3º - Ter disciplina: Depois de criar um cronograma próprio, está na hora de cumprir perfeitamente todos os horários. Não se engane. O seu desejo vai ser ficar deitado(a), ficar mexendo no celular ou assistindo TV. Mas seja rigoroso(a) consigo mesmo(a). Se esforce para cumprir tudo com disciplina, pois isto vai fazer muito bem para você.


4º - Ler frequentemente para alimentar a mente e a alma: São Bento recomendava vivamente a leitura e o estudo. Neste tempo de quarentena temos tempo suficiente para isto. Sabe aqueles seus livros na estante que você quer ler há tanto tempo e nunca leu? Pois bem. Aproveita! As leituras vão te enriquecer. Seja algum estudo ou alguma literatura. Tudo te dará um novo conhecimento, novas informações. Escolha bons livros e dedique algum tempo do seu dia. Também leia a Bíblia ou a Vida dos Santos. Será de grande proveito espiritual.


5º - Seja atencioso com os outros “principalmente os pobres e viajantes”: A Regra de São Bento deixa bem claro que os monges devem ser muito atenciosos com todas as pessoas, sobretudo os pobres e os viajantes. Justamente por isso os mosteiros sempre possuem hospedarias, e seus hóspedes são extremamente bem recebidos e acolhidos. Neste período de pandemia, muitas pessoas estão se sentindo solitárias. Ofereça seu ouvido. Faça ligações, chamadas de vídeo. Converse sobretudo com os mais idosos, viúvas ou pessoas que moram sozinhos. Será uma grande caridade que estará fazendo diminuindo o tédio de outrém.


6º - Faça as pazes uns com os outros: São Bento dizia que um monge, em hipótese alguma, poderia ficar irado com outro. Se tivessem algum problema entre eles, algum dos dois deveriam imediatamente buscar reparar o erro e pedir perdão muito humildemente. O perdão cria em nós uma sensação de alegria e liberdade interior. Exercite o perdão nesta quarentena. Vai te fazer se sentir muito melhor.


7º - Viva cada dia como se fosse o último “Manter a morte diante dos olhos diariamente”: Não podemos esconder o fato de que o momento que estamos vivendo é um momento sensível e arriscado à nossa saúde e de nossos familiares. Mas São Bento ensinava que ter sempre a morte diante de nós nos ajuda a viver intensamente cada momento, aproveitar cada segundo, rezar a todo momento, amar os outros e a Deus em todos os lugares.

Não entre em choque com o pensamento de que vai morrer hoje ou amanhã. Mas viva sua vida de tal que forma que, quando sua morte chegar, (e ela vai chegar), você se alegre pois viveu uma bela vida e finalmente irá encontrar o Deus que você tanto amou.

São Bento mesmo, por iluminação divina, anunciou sua morte aos monges seis dias antes de morrer. E ainda ordenou que lhe fizessem a cova. No dia seguinte foi acometido por uma forte febre que só foi aumentando. E no dia anunciado, se ajoelhou com a ajuda dos monges e fez sua última oração abrindo os braços ao céu. Entre preces e orações, o Santo Abade expirou. Em 21 de Março de 547.

Quem vive bem, não teme a morte. Aceite-a como um processo natural da nossa vida, e principalmente como a passagem desta vida terrena para a vida eterna. Ela virá no momento escolhido por Deus. Tenhamos nossas lamparinas acesas pois não sabemos o dia nem a hora que o esposo virá. Mt 25,13.


Roguemos pois a São Bento que nos ajude e nos ensine a viver bem a nossa vida, tendo sempre em vista a vida eterna.


Reze conosco a oração de São Bento.


A Cruz Sagrada seja a minha luz.

Não Seja o Dragão meu guia.

Retira-te Satanás.

Nunca me aconselhes coisas vãs.

É mau o que tu me ofereces.

Bebe tu mesmo o teu próprio veneno.


Rogai por nós, Óh Bem Aventurado São Bento,

Para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Cristo. Amém.

Sem. Christian Deivisson

11/07/2020


Referências:

Vida de São Bento / São Gregório Magno.; Regra de São Bento / São Bento de Núrsia; Tradução: Tiago Gadotti – Dois Irmãos, RS : Minha Biblioteca Católica, 2019.

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