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Chega Logo, São João!





Eita que Junho chegô e nóis já pensa logo in comê mío assado orvindo um forrozinho bão in vorta da fuguêra.

Isso mesmo! O que tanto esperávamos, chegou! A festa mais querida dos nordestinos, mais animada, alegre, cheia de brincadeiras, muita comida boa, roupas diferentes, músicas e danças que alegram o nosso povo.

Eu não sei vocês, mas eu estava contando os dias!

E nessa animação toda, por que não conhecer um pouco mais sobre as festas juninas? Sua origem e sobretudo sua religiosidade.


Origem

As festas juninas têm sua origem na Europa desde o século IV, e se chamavam festas joaninas dado seu vínculo com a festa de São João, único santo que celebra-se o seu nascimento e não sua morte.

Porém, antes de ter sido inculturada pela Igreja Católica, havia no mês de junho as festividades do solstício de verão, com o objetivo de afastar os espíritos maus e qualquer praga que pudesse atingir a colheita. Quando o cristianismo se consolidou como a principal religião da Europa, as festividades pagãs foram incorporadas ao calendário cristão. Outro exemplo disto, é o Natal.

Ao chegar ao Brasil, no século XVI, o nome foi progressivamente mudado para festas juninas, e se aproveitaram dos grandes santos do mês de Junho. A origem dessa festa tal como conhecemos é de Caruaru, para os pernambucanos ou de Campina Grande para os paraibanos. Porém é uma festa tradicional em todo o Brasil.

Inicialmente, as festas juninas tinham uma conotação bem mais religiosa, e essencialmente é, mas elas foram se popularizando nas cidades, ruas, escolas e praças, e até mesmo os que não possuem religião as aproveitam para se divertir. Além disso, a evolução da festa no Brasil fez com que ela se associasse a símbolos típicos das zonas rurais, especialmente do Nordeste.

Já vi gente pulando fogueira de São João, pedindo marido pra Santo Antônio e pedindo pra São Pedro abrir as portas do céu para mandar chuva, porém, a vida de santidade desses grandes santos superam absurdamente estas práticas populares e elevam a nossa alma para contemplar as maravilhas de Deus.

É justamente este o meu objetivo: Tratar do que é essencial nesta festa. E não são as músicas, as comidas e as danças. O essencial desta festa é celebrar 3 grandes santos da nossa Igreja, que possuem muitos devotos. Acontece que nem sempre se conhece suas histórias e virtudes.

Vamos conhecer um pouco sobre cada um deles?


Santo Antônio – 13 de Junho




Santo Antônio de Pádua, conhecido como o “santo casamenteiro”, nasceu em Lisboa no ano de 1195. Iniciou sua vida religiosa no mosteiro agostiniano de São Vicente, fora dos muros de Lisboa, buscando viver a perfeição evangélica. Pediu transferência para o mosteiro de Coimbra quando tinha 17 anos, e lá estudou por 8 anos, de 1212 a 1220. Foi ordenado sacerdote no ano de 1220, e neste mesmo ano viveu uma experiência que é marco da sua história.

Cinco Frades Menores franciscanos foram enviados a pregar o Evangelho para os pagãos. Ao chegarem em Coimbra, a rainha Urraca lhes enviou para Sevilha a fim de converter os Mouros, porém foram presos e enviados para a África. Lá foram martirizados. Foram mutilados em trocos de árvores, arrastados pelas ruas, insultados, e seriam até mesmo queimados. Entretanto, os portugueses conseguiram recolher os corpos dos Frades e os levaram de volta a Portugal.

Coimbra há alguns meses, despedia-se de jovens frades pregadores, agora abre as portas para acolher novos mártires da Santa Igreja. Por Ordem da Corte, as relíquias dos mártires foram depositadas no Convento da Santa Cruz, onde, o então Fernando de Bulhões, vivia. Ao se deparar com a presença dos corpos destes santos, o coração de Fernando começou a arder no desejo de imitá-los, e de, por amor a Jesus Cristo, beber o cálice do martírio.

Conta-se que após este episódio, S. Francisco de Assis teria aparecido em uma visão miraculosa da parte de Deus, dizendo que ele deveria entrar para o Convento dos Frades Menores. Não tardou em oferecer-se, e se dirigiu a um estabelecimento dos Frades Menores próximo a Coimbra, lá tomou o hábito franciscano e mudou seu nome para Antônio.

Em setembro de 1222, em uma ordenação dos religiosos dominicanos, era comum que um dos padres presentes dirigisse um sermão aos candidatos. Por cortesia, o bispo ordenante pediu que o superior dos franciscanos lhe dirigisse, mas este não podendo, escolheu, como por inspiração do Espírito Santo, Antônio.

Mesmo sem ter preparado nada, Antônio foi obediente e subiu ao púlpito. Ao iniciar, logo se notou que suas palavras, sua voz, sua eloquência vinham, não de um simples frade, mas do próprio Deus. Todos ficaram admirados e surpreendidos, pois conseguira falar das doutrinas místicas de maneira simples e humilde. Confessaram todos que nunca ouviram um discurso igual. A partir desse momento, os Frades cercaram de veneração aquele que acabaram de ouvir, pois neste conciliava uma sabedoria divina abraçada por uma notável humildade.

Em seguida, foi designado para pregar na região da Lombardia. Em 1224 foi indicado por São Francisco de Assis para lecionar teologia na universidade de Bolonha. E depois foi enviado à França para lecionar nas universidades de Toulouse, Montpellier e Limoges. Em todos os lugares onde passou, suas pregações alcançaram muitas pessoas, e lhe são atribuídos feitos prodigiosos que contribuíram para o crescimento de sua fama de santidade.

A vida de Santo Antônio é repleta de milagres, sobre ele é dito popularmente de “santo milagreiro”. Conta-se que em Rimini, depois que o povo não quis escutá-lo, foi até a beira do rio e continuou pregando, até que os peixes colocaram a cabeça para fora d’água para escutá-lo. Outro milagre aconteceu quando os hereges tentaram envenená-lo; ele apenas fez o sinal da cruz sobre alimento e comeu como uma comida normal, e nada lhe aconteceu. Ele é um verdadeiro “Martelo dos Hereges”.



Poucos depois da Páscoa de 1231, sentiu-se mal. Sua saúde foi piorando e percebendo que sua morte estava próxima, pediu para ser levado de volta a Pádua, mas morreu antes de chegar lá, em 13 de Junho de 1231. Sua fama de santidade era tamanha, que foi canonizado menos de um ano depois, em 30 de Maio de 1232.

Este grande santo é um exemplo de fé, pureza, humildade, sabedoria, oferta a Deus e santidade. Não é atoa que possui muita devoção em todo o mundo. Que a partir dessas informações possamos pedir a intercessão dele e festejá-lo com muita alegria e muito amor, imitando suas virtudes, e pedindo para sermos mais fieis a Deus. Uma bela maneira de pedir sua intercessão é rezando sua trezena que inicia no dia 1 de Junho até o dia 13, quando sua festa é celebrada.


Rogai por nós Glorioso Santo Antônio, para que sejamos dignos das promessas de Cristo!


São João Batista – 24 de Junho



São João nasceu em Aim Karin, cidade que fica a 6km do centro de Jerusalém. Seu pai era Zacarias, um sacerdote do templo, e sua mãe foi Santa Isabel, que era prima de Maria, mãe de Jesus. João Batista foi consagrado a Deus desde o ventre materno, e sua concepção se deu milagrosamente pela ação do Espírito Santo, pois Isabel era estéril, e os dois já possuíam idade avançada. (Lc 1, 5-7)

Ele é o último dos profetas, pois anunciou a vinda do Messias, foi portanto, seu precursor. São João pregava a todos a conversão e o arrependimento dos pecados manifestos através do batismo, daí seu nome significa: João, aquele que batiza.

É interessante as palavras que o anjo diz a respeito de São João quando anuncia seu nascimento. O anjo diz que muitos se alegrarão com seu nascimento, que ele será grande diante do Senhor, e que ficará pleno do Espírito Santo ainda no ventre de sua mãe. O anjo ainda diz que converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor. E caminhará com o espírito e poder de Elias para converter os corações dos rebeldes e para preparar para o Senhor um povo bem disposto. (cf. Lc 1, 15-17)

Vemos que a missão de João Batista foi preparar os caminhos de Jesus Cristo. Isto porque Zacarias, sendo sacerdote do templo, teve um filho miraculosamente e diz em Lucas 1, 58 que os vizinhos e parentes se alegraram com o nascimento de João. Enquanto que o nascimento miraculoso de Jesus na Virgem Maria permaneceu oculto. Logo, o povo tomou João Batista como um enviado de Deus, um profeta, e gravaram todos esses fatos em seus corações. (Cf. Lc 1, 66)

Zacarias, seu pai, profetizou cheio do Espírito Santo: “tu menino, serás chamado profeta do Altíssimo, pois irás andando à frente do Senhor, para lhe preparar os caminhos, para transmitir ao seu povo o conhecimento da salvação, para guiar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte, para guiar os nossos passos no caminho da paz”. (Lc 1, 76-79)

João ao crescer, foi morar no deserto fazendo sacrifícios e penitências. Sua alimentação consistia em gafanhotos e mel silvestre, vestia roupa de pele camelo e usava um cinturão de couro na cintura. Pregava a conversão e o arrependimento dos pecados. A todos que se convertia ele os batizava. Até mesmo o próprio Jesus foi batizado por Ele, e após isso o Espírito Santo lhe apareceu em forma de pomba, e se ouviu uma voz do céu: “Este é meu Filho muito amado, em quem coloco minha afeição”.

Por causa de seu carisma, pensaram que era o Messias, mas ele afirmou: “Eu não sou o Messias, e não sou digno de desatar nem a correia de suas sandálias.” (Jo 1, 27). Também disse que virá outro depois dele que batizará com o fogo e com o Espírito (cf. Mt 3,11b). E ele mesmo indica ser Jesus o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. (Cf. Jo 1, 29).

A morte de João Batista é narrada em Mateus 14, 3-12 e em Marcos 6, 14-29. Ele, por ter denunciado um erro de Herodes que foi desposar a mulher de seu irmão, Herodíades, fora preso e acorrentado. Herodíades, com raiva, lhe pediu sua morte. Em uma festa, a filha de Herodíades dançou e agradou Herodes e seus convivas. Este lha prometeu o que quisesse, e ela, instruída por sua mãe, pediu a cabeça de João Batista num prato e lhe foi concedida.



São João Batista representa para nós um modelo de obediência e oferta de sua vida total a Deus. Ele por sua humildade dedicou-se inteiramente ao anúncio da Boa-Nova. Teve a missão de anunciar e preparar os caminhos para o Salvador. Com sua boca de profeta denunciou os erros do povo e os convidou a conversão. Não mediu esforços para anunciar a vinda do Cordeiro, e levou sua palavra até sua morte. Ficou cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe ao ouvir a saudação de Maria, e ele foi enviado pelo Espírito para pregar a todas as pessoas batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.


Rogai por nós, São João Batista, para que sejamos dignos das promessas de Cristo!


São Pedro Apóstolo – 29 de Junho



Antes de se tornar um dos doze apóstolos de Cristo, Simão era pescador. Teria nascido em Betsaida e morava em Cafarnaum. Era filho de Jonas e tinha por irmão o Apóstolo André. Simão e André possuíam sua própria frota de barcos em sociedade com Tiago, João e Zebedeu.

Simão conheceu Jesus quando este lhe pedira seu barco emprestado a fim de pregar para uma multidão. A barca foi afastada da margem e Jesus, sentado no barco fez sua pregação. Quando acabou de falar, Jesus pediu que Simão lançasse as redes para a pesca. E ele lhe respondeu; “Mestre, trabalhamos a noite inteira sem nada a apanhar, mas porque mandas, lançarei as redes” (Lc 5, 5). Quando lançaram as redes, apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. Ao ver esse milagre, Simão atirou-se aos pés de Jesus dizendo: “Afasta-te de mim Senhor porque sou pecador!” Jesus disse que ele não deveria ter medo, pois dali em diante seria pescador de homens. Os pescadores reconduziram os barcos à margem, deixaram tudo para trás e seguiram Jesus.

É belo meditar que Pedro passou de pescador a pecador. Quero dizer… Ele, enquanto pescador, (e podemos sem dúvida dizer: Experiente) teve a humildade de obedecer a Jesus, mesmo sabendo que tentara a noite toda pescar e não conseguira. Essa humildade e obediência em atender ao pedido de Jesus fez com que Simão tomasse consciência da grandeza daquele homem que estava diante dele, e assim ele reconheceu sua indignidade, e reconheceu ser um pecador.

Uma outra passagem, também enriquece esse encontro de Simão com Jesus, que é no Evangelho de João 1, 42. Em que Jesus, olhando profundamente em seus olhos, diz: “Tu és Simão, filho de Jonas; serás Cefas” (Que quer dizer Pedra). Que incrível a maneira de Jesus de tocar os nossos corações. Ao chamá-lo de Pedro, estava designando-o para a missão que o Pai sonhara para ele desde toda a eternidade: Ser a Pedra na qual será fundada a Igreja de Cristo.

E vemos, portanto, em Mt 16, 13-19 a instituição de Pedro como Pedra na qual será edificada a Igreja, e Cristo lhe concede as chaves do reino dos céus. Esta instituição de Pedro lhe conferiu o título de primeiro pai dos cristãos, que futuramente seria chamado de Papai ou Papa.

Outro episódio marcante da vida de Pedro narrado nos Evangelhos é em João 21, quando numa passagem emocionante Jesus retoma o momento que conhecera Pedro. Jesus havia ressuscitado, porém os discípulos não o reconheceram em suas aparições, e podemos dizer até mesmo que estavam desacreditados da ressurreição. Jesus decide aparecer aos discípulos mais uma vez, então foi até a margem do lago. Pedro estava pescando, passou a noite inteira sem conseguir pescar nada. Jesus lhe ordena que lance as redes no lado direito do barco, e a quantidade de peixes foi tanta que mal tinham força para puxar. Quando Pedro ouve dizer que “É o Senhor”, o que antes se atirou aos pés de Jesus reconhecendo-se pecador, agora se vestiu e se atirou ao mar porque estava nu.

Pedro, antes de Pentecostes, nos é apresentado como medroso e inseguro, mas após receber o Espírito Santo no cenáculo juntamente com Maria e os discípulos, sua fé e sua entrega a Deus tornou-se tamanha a ponto de dar a própria vida por amor a Cristo. Depois de Pentecostes São Pedro reunia multidões em suas pregações. Ele tinha o dom da cura de tal forma que as pessoas queriam tocar em seu manto, ou ao menos sua sombra lhes tocasse para que ficassem curados. Das cidades vizinhas de Jerusalém vinham multidões trazendo pessoas atormentadas por espíritos impuros e todos eles alcançavam a cura.

Depois de Pentecostes São Pedro foi evangelizar em vários lugares, até ir para Roma, e lá liderar a Igreja que crescia apesar das perseguições. Quando os guardas romanos descobriram a presença de Pedro na Cidade Eterna, prenderam-no e o condenaram à morte de cruz por ser o líder da Igreja de Jesus Cristo. Quando estava para ser crucificado, Pedro, em ato de humildade não se sentiu digno de ser crucificado como seu mestre, e pediu para ser crucificado de cabeça para baixo. Seu pedido foi atendido, e ele foi crucificado onde hoje é o Vaticano.



São Pedro representa para nós a superação de um homem frágil, medroso, inseguro, que as vezes agia sem pensar e tomava atitudes precipitadas. Este homem, por humildade e reconhecimento de Cristo como o Messias, ao receber o Espírito Santo, foi transformado. Tornara-se de fato uma Rocha, aquela sobre a qual está fundada a Igreja de Cristo, na qual as portas do inferno não prevalecerão.


Et portae inferi non praevalebunt!


Queridos irmãos, nos alegramos ao chegar Junho com todas estas festividades. Mas, de todo o meu coração, desejo que esses grandes exemplos de vida e santidade gerem em nós a alegria que vem do alto, e celebremos, dancemos, comamos, mas reconhecendo que a essência da nossa alegria é e sempre será Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Um feliz e abençoado mês de Junho para todos.

Agora vamo simbora cumê canjica e arroz doce meu pôvo!



REFERÊNCIAS


ANTONIO, Pe. História de Santo Antônio de Pádua. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2018.


BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus 2002.


CRUZ TERRA SANTA. História de São João Batista. Disponível em: <https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-joao-batista/145/102/>. Acesso em: 30 de mai. 2021.


CRUZ TERRA SANTA. História de São Pedro. Disponível em: <https://cruzterrasanta.com.br/histtoria-de-sao-pedro/156/102/>. Acesso em: 30 de mai. 2021.


MIRANDA, Evaristo Eduardo de. Guia de curiosidades católicas: Causos, costumes, festanças e símbolos escondidos no seu calendário. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.


 
 
 

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