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Festa de Exaltação da Santa Cruz


No dia 14 de Setembro a Igreja celebra a festa da exaltação da Santa Cruz. A data lembra a dedicação das Basílicas sobre o Gólgota e o Sepulcro de Cristo, construídas durante o império de Constantino e dedicadas no dia 13 de Setembro de 335. Neste dia também se faz a memória da vitória de Heráclio sobre os persas em 630, dos quais foram arrebatadas as relíquias da cruz, e solenemente transportadas para Jerusalém. No entanto, esta festa é bem maior que esses dados históricos. Dentro do plano de Deus, a cruz tornou-se um sinal e símbolo do mistério pascal, onde pela morte da cruz, Cristo remiu nossos pecados e abriu as portas do céu para nós.

Gostaríamos então, de fazer duas reflexões sobre a Santa Cruz; a primeira sobre o mistério Trinitário e bíblico, e a segunda sobre a não aceitação da Santa Cruz nos dias de hoje.

Notemos que no início da Santa Missa e de praticamente todos os momentos de oração que fazemos, tradicionalmente traçamos sobre nossa fronte o símbolo da Cruz, dizendo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Mas porque a cruz estaria ligada à Santíssima Trindade?

O primeiro sinal da Cruz, está diretamente ligado ao Pai Criador, era a árvore no meio do jardim do Éden (Gen. 3,3), que possuía um fruto proibido que quem o comesse teria o conhecimento do bem e do mal. Esta árvore não possui literalmente um formato de cruz, mas ela possuía o mesmo que os outros madeiros, um peso e um fruto. O peso dela era a provação que Deus Pai colocou a Adão e Eva de não comer apenas o fruto desta árvore. Eles deveriam, portanto, aceitar com humildade e obediência a Deus, e confiar na sua palavra e não na serpente, para continuar gozando do paraíso. E seu fruto foi a expulsão do paraíso por acreditar mais na serpente do que em Deus.

Vemos, portanto, que o primeiro madeiro, ou primeira cruz, tem como plano de Deus aceitá-la, tal como deixada por Deus, e confiar no Criador, confiar em sua palavra. Se a aceitamos como Deus nos dá, podemos gozar do paraíso, se caímos na tentação, o fruto desta é a morte e o pecado.

A Segunda Cruz é a cruz de Cristo, que ao contrário de Adão e Eva a tomou por obediência (Lc 22,42), e seu fruto não foi à morte. Humanamente, a única coisa que vemos quando olhamos para a cruz é morte, dor e sofrimento. Mas a cruz alcança a sua plenitude em Cristo, porque ela, nos planos de Deus não simboliza a morte, mas sim a ressurreição. (I Cor. 1,18) Aquele madeiro do Éden, que tinha como fruto o pecado, agora alcança sua plenitude em Cristo, e esse madeiro tem como fruto não mais o pecado, mas a salvação.

É neste madeiro que Cristo sobe e abre os braços para acolher todos aqueles que estavam perdidos pelo pecado, e reparar o erro de Adão e Eva. O fruto desta nova árvore é o próprio Deus. Enquanto o primeiro madeiro, por causa da desobediência de Adão e Eva nos levou às trevas, o novo madeiro nos levou à luz, enquanto no primeiro madeiro a desobediência nos afastou de Deus, Deus agora envia seu Filho muito amado, para nos reconciliar definitivamente com o Pai. É por meio desta cruz onde o Filho de Deus foi imolado que nós podemos nos aproximar de Deus e gozar eternamente no seu paraíso.

A terceira Cruz, desta vez, é nossa (Mt. 16,24). Somos nós convidados a, depois de aceitar a cruz da concupiscência que está em nós (inclinação ao pecado) e de aceitar a cruz de Cristo como meio pelo qual recebemos a Salvação, aceitar a nossa cruz, que são os nossos medos, nossas inseguranças, nossas renúncias, nossos sofrimentos. Temos que tomar nossa cruz e seguir a Cristo, pois Ele é o ressuscitado. Mas, só conseguiremos triunfar nessa jornada se tivermos o auxílio e a graça derramada pelo Espírito Santo. Eis o grande mistério. Quem não se coloca sob as asas do Santo Espírito nunca compreenderá o grande mistério da cruz.

É Ele quem nos dará força e quem nos sustentará em todas as tribulações sofridas por amor ao Pai. É o Espírito Santo quem nos impulsionará a ir sempre mais além, sempre às águas mais profundas nos momentos de escuridão e tempestade. Somente com sua força e seu poder poderemos ser fiéis a Cristo, e unir-nos a Ele no calvário e fazer como o bom ladrão, reconhecendo que Ele é inocente, e nós sim somos culpados pela nossa desobediência e falta de humildade, mas que Ele não se esqueça de nós (Lc. 23, 39-43).

A segunda meditação sobre a Exaltação da Santa Cruz é justamente por que no mundo atual se exclui tanto a cruz? O mundo de hoje não consegue ver coisas boas em momentos difíceis, não reconhece que é nos momentos difíceis que Deus nos dá força e nos sustenta, e embora O abandonemos Ele não nos abandona. Vêem-se tantas propagandas e se vende tanto que não podemos sofrer se vende relaxar, descansar, paz, alegria. Também se vende prosperidade, dinheiro não traz felicidade, mas proporciona momentos felizes. Ninguém pode espirrar que já é um tumulto dentro de casa. Uma criança pede um brinquedo pode ser o preço que for, mas não pode negar para ela não chorar.

E por esse mundo fissurado em tudo que não seja sofrer, cria-se uma geração de pessoas medrosas, covardes, fracas, depressivas e tristes. Nunca se viu uma geração com tantas pessoas em depressão, com tantos casos de suicídio, com tantos jovens isolados anti-sociais, com tantas pessoas entregues aos vícios como álcool, sexo, cigarros e outras drogas. O que acontece, é que os momentos de tristeza são inevitáveis, e por mais que a gente fuja da cruz, quando o momento de tribulação vier, não estaremos preparados, pois somente somos acostumados ao prazer.

Sede Perfeitos assim como vosso Pai Celeste é Perfeito. (Mt. 5,48)

Se quisermos ser perfeitos como o Pai, temos que aceitar tudo quanto Ele nos manda, sejam tribulações ou consolos. Embora que agrada muito mais a Deus quando somos fieis a Ele na tribulação, e não somente no consolo. Pois no consolo é fácil amá-Lo, mas Ele quer antes de tudo pessoas fortes e perseverantes que sejam alegres e confiantes em todos os momentos, e principalmente nos momentos mais dolorosos da nossa vida. Esses momentos são provações que o próprio Pai nos envia para exercitarmos as virtudes e assim, de provação em provação, seguindo Cristo, com o auxílio do Espírito Santo, alcançamos a perfeição. Tudo é provado para ser aprovado, e conosco não é diferente.

A Cruz é nossa provação, é também o preço que pagamos por tão alta recompensa. Ora, pagam-se milhões por carros e casas, o Paraíso vale infinitamente mais que qualquer riqueza deste mundo, é justo que se pague um preço infinitamente maior pelo Paraíso. Esse preço nós não podemos pagar, por isso Cristo pagou por nós, Um Deus Crucificado! Basta agora que aceitemos e amemos a Cruz e a exaltemos. Bendita seja a Santa Cruz, o Amor nela se entregou por nós!

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