Como viver bem a Quaresma
- Sem. Christian Deivisson

- 26 de fev. de 2020
- 5 min de leitura
Quaresma, o que é?
A quaresma é um período de 40 dias no tempo litúrgico que antecede a Páscoa. Ela se inicia na Quarta-Feira de Cinzas e vai até antes da Missa da Santa Ceia, na Quinta-Feira da Semana Santa, que se inicia o Tríduo Pascal. ( Cf. Papa Paulo VI, Normas Universais do Ano Litúrgico. N. 28)
O Ciclo Pascal compreende três tempos: preparação, celebração e prolongamento. A Quaresma insere-se no período de preparação.
Este período de preparação para a Ressurreição é um tempo que a Igreja convida cada cristão a uma reflexão de seu interior e de seus atos, meditando a Paixão de Cristo, a fim de viver mais perfeitamente a Páscoa do Senhor. Por isso é um tempo de jejum, penitência, oração e conversão.
Preparação
“Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito, para ser posto à prova pelo diabo. Ele jejuou quarenta dias e quarenta noites”. Mt 4,1.
Jesus, sabendo da missão que teria pela frente, foi conduzido pelo Espírito para ser tentado. Da mesma forma, a igreja nos conduz a quarenta dias de jejum, penitência e oração, onde muitas vezes seremos tentados, em vista da grande festa que teremos pela frente. Importa-me falar desta grande festa.
A Páscoa é a celebração da Ressurreição do Senhor, onde o Senhor vence a morte e o mal, e nos revela a glória da vida eterna, nos convidando a buscar a eternidade. Tão grande feito supera nossa humanidade, nossa razão e nos coloca diante da maravilha das realidades celestes que não podemos compreender se estivermos apegados ao mundo.
Portanto é preciso apagar de nós os dardos do inimigo, limpar da nossa vida a sujeira do mundo, e lavar a nossa alma da podridão do pecado. O tempo da quaresma é o tempo favorável. “Eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação”. II Cor. 6,2.
Recomendações Práticas
Jejum: Especificamente, o jejum não é somente de alimentos. Gostaria de atentar também ao jejum de redes sociais, televisão, práticas prejudiciais à saúde, apegos, pessoas, vícios e etc. O pecado da gula em si, revela não somente o exagero na alimentação, mas uma compulsão por consumir e ter qualquer coisa, sendo, na maioria das vezes refletida na alimentação. A prática do jejum nos convida à moderação de todos os nossos exageros, nos prometendo a liberdade interior que ganhamos ao desapegar das coisas exteriores.
É esta liberdade interior, de pessoas desapegadas de tudo, que Cristo Ressuscitado quer encontrar nos nossos corações. Ele, para nos dar o céu, quer de nós um coração livre e vazio onde Ele venha e preencha com seu amor. Um coração cheio de exageros, sem equilíbrio e sem moderação não consegue abrigar o Céu de Cristo. Portanto, a prática do jejum deve ser uma moderação de toda as áreas da nossa vida.
Mais especificamente sobre o jejum da alimentação: possui várias formas. Pode-se fazer uma refeição forte e duas reduzidas. Uma refeição forte, uma média e uma reduzida. Comer somente pão e água, ou frutas e verduras. É importante sentir um pouco de fome nesta prática, e obviamente, controlar a vontade de saciar-se.
Penitência: Como este período é um tempo de preparação meditando a Paixão de Cristo, é importante oferecer a Deus sacrifícios e mortificações como penitências. Ex: Não comer ou beber alimentos que gosta, não usar redes sociais preferidas, usar escadas ao invés do elevador, tomar somente água ao invés de sucos e refrigerantes, ou tomar sucos sem açúcar, rezar o terço de joelhos e etc.
Deus é consolado, ao ver-nos de lá do alto da cruz, fazendo sacrifícios e tomando nossa cruz em honra a Ele. A penitência é um grande exercício de santificação e aumenta em nós o temor e amor a Deus. Deve ser feita sempre, e intensificada especialmente na quaresma.
É justamente nas penitências que inimigo vem nos tentar, para desistirmos dela. Por isso deve ser feita com muito zelo e perseverança. “Ainda não tendes resistido até o sangue na vossa luta contra o pecado”. Hb 12,4.
Caridade: Talvez o que mais santifica um cristão seja a caridade. Eis o segredo dos santos para conquistar o amor de Deus. Um coração caridoso é semelhante ao coração do próprio Cristo. A Caridade é o Deus Amor que se converte em ação.
Portanto qualquer um que queira viver bem uma quaresma deve se esforçar por atingir tal virtude. Visitar doentes e idosos, dar esmola, ouvir mais as pessoas, fazer companhia às pessoas solitárias, ajudar com bens materiais, doar roupas e objetos próprios, fazer tarefas voluntárias.
Este esforço revelará mais abertamente à alma do cristão o verdadeiro espírito do ser cristão. “Se Alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o Amor de Deus? Filhinhos, não amemos nem de palavra nem de boca, mas em ação e verdade”. I Jo. 3, 17-18.
Oração: Eis o ponto central da Quaresma. A oração, nosso encontro pessoal com Deus. Tudo que citei acima não valerá de nada se não for oração. O jejum sem oração se torna uma dieta. As penitências sem oração se tornam apenas moderações de nossos atos. A caridade sem oração se torna obra social.
A oração é a relação com Deus, e o oferecimento de si e tudo que fazemos a Ele. É construindo essa relação por meio da oração, que Ele vai nos dizer o que Ele quer de nós, e qual modelo de cristão Ele espera de nós. Somente nesta intimidade é possível conhecer os desejos e segredos deste Deus. Se um amigo, para fortalecer nossa amizade, devemos conversar sempre, quanto mais Deus que é cheio de segredos.
Nesta quaresma, é necessário dedicar um bom tempo diariamente à oração, à meditação da Palavra, à recitação do terço e quem sabe todo o rosário. Se possível ir à missa nos dias da semana. Rezar as vias-sacras às sextas-feiras. Visitar Jesus no sacrário diariamente e oferecer a Ele atos de amor. “Orem sem cessar!” I Tes. 5,17.
Conversão
“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” I Jo. 1,9.
A Quaresma é portanto este tempo de mudança. Um tempo que podemos afirmar e reavivar em nós a nossa vocação e o chamado de Deus para uma vida de santidade dedicada ao Reino e ao próximo. É tempo de meditar sobre si e buscar ser mais fiel. Tempo de deixar de lado os apegos e os bens deste mundo e desejar somente as coisas do alto.
Este é o tempo favorável para retornar aos braços do Pai, pedir perdão por nossas faltas e assumir novamente a nossa condição de filhos de Deus. E se deixar ser curado por este Pai amoroso que com sua misericórdia toca no mais fundo dos nossos corações nos convidando à conversão e ao amor que não passa, que é eterno. E por meio destes exercícios espirituais podemos seguir um caminho de fidelidade e compromisso de amor com Deus.
“Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas antigas já se passaram; Eis que surgiram coisas novas!” II Cor. 5,17
Tenham todos uma santa e abençoada Quaresma!
Graça e Paz!






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